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Noh aposta no Open Finance para centralizar o dinheiro dos casais

Com integração de contas externas, fintech quer deixar de ser apenas uma conta compartilhada e se tornar o principal painel financeiro da vida a dois.

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A Noh começou a usar o Open Finance para reunir, dentro de seu aplicativo, informações financeiras mantidas pelos clientes em outras instituições. Com a nova funcionalidade, cada integrante do casal pode conectar contas bancárias próprias e visualizar saldos, movimentações e parte do patrimônio compartilhado em um único ambiente.

A fintech estima conectar 10 mil contas bancárias nos primeiros dois meses da operação, conforme informações divulgadas inicialmente pelo portal Startups. A empresa quer ocupar uma posição diferente da oferecida pelos bancos tradicionais: em vez de substituir todas as instituições utilizadas pelo cliente, pretende funcionar como uma camada que organiza os diferentes relacionamentos financeiros do casal.

Na prática, a estratégia transforma o aplicativo em um painel central. Mesmo que cada pessoa continue usando bancos, corretoras e cartões distintos, a Noh poderá apresentar uma visão conjunta dos recursos distribuídos entre essas instituições.

Open Finance amplia alcance da Noh

Até agora, o aplicativo mostrava principalmente o dinheiro depositado diretamente na conta conjunta da Noh. Com a integração, os usuários também podem visualizar contas externas e usar bancos conectados para abastecer o saldo da plataforma sem precisar alternar entre aplicativos.

Cada integrante precisa autorizar separadamente a conexão das contas vinculadas ao próprio CPF. A permissão possui prazo definido pelo usuário e pode ser cancelada. A empresa afirma que não movimenta recursos sem uma autorização específica.

Para acessar a infraestrutura regulatória e tecnológica do Open Finance, a Noh fechou parceria com a Iniciador. A empresa fornece serviços de recepção de dados bancários, gerenciamento de consentimentos e iniciação de pagamentos para fintechs e instituições financeiras.

A integração permite que a Noh receba informações sobre contas, extratos, cartões, crédito e investimentos. O Iniciador afirma processar mais de 1 bilhão de chamadas de APIs de dados por mês e uma em cada três iniciações de Pix realizadas pelo ecossistema brasileiro. Os números são divulgados pela própria companhia.

Estratégia não é substituir os grandes bancos

O movimento indica uma mudança na forma como a Noh busca relevância no mercado. A fintech não precisa convencer o cliente a abandonar o banco em que recebe salário, acumula milhas ou mantém investimentos. Em vez disso, tenta organizar os produtos contratados em diferentes instituições.

A empresa afirma que mais da metade da renda compartilhada pelos casais clientes já passa pela plataforma. Parte dos recursos, entretanto, continua distribuída entre contas individuais, cartões e corretoras, o que limita a visão financeira oferecida pelo aplicativo.

Ao consolidar informações externas, a Noh pode aumentar a frequência de uso do aplicativo mesmo sem manter diretamente todo o patrimônio dos clientes.

O modelo também evita que a startup precise desenvolver internamente uma linha completa de produtos bancários. Em vez de criar sua própria corretora, por exemplo, a companhia pode exibir investimentos mantidos em outras plataformas e concentrar seus esforços na organização das finanças compartilhadas.

Fintech nasceu para pagamentos compartilhados

Fundada em 2021 por Ana Zucato, a Noh começou atendendo diferentes situações de divisão de despesas, incluindo amigos, famílias e grupos. Em 2023, a empresa concentrou sua estratégia em casais e passou a se apresentar como uma conta conjunta digital.

A startup captou R$ 17 milhões em uma rodada liderada pela Kindred Ventures, com participação da Positive Ventures, de Biz Stone, cofundador do Twitter, e de investidores ligados a empresas como iFood, Neon e QuintoAndar.

Em julho de 2024, a Noh informou ter movimentado R$ 100 milhões desde o lançamento. Naquele momento, 40% dos casais atendidos depositavam os dois salários integralmente na plataforma, segundo dados apresentados pela fundadora. A companhia não divulgou números atualizados de transações, receita ou clientes no anúncio mais recente.

Além da conta compartilhada, a fintech oferece dois cartões ligados a uma única fatura, categorização automática de despesas e uma carteira de investimentos desenvolvida em parceria com a Warren.

Open Finance entra em nova fase

A expansão da Noh ocorre enquanto o Banco Central aumenta o alcance do Open Finance. Em março de 2026, o ecossistema havia chegado a aproximadamente 135 milhões de consentimentos ativos para acesso a dados, de acordo com uma ata do Comitê de Governança, Riscos e Controles do Banco Central.

O regulador também publicou, em abril, a versão 7.0 do Manual de Escopo de Dados e Serviços. A atualização incorporou regras para a jornada otimizada de iniciação de pagamentos com compartilhamento de dados.

A jornada otimizada busca reduzir etapas de autorização e facilitar o uso recorrente das conexões. Para a Noh, isso abre caminho para ir além da consulta de informações e coordenar transferências entre as contas individuais e o saldo compartilhado.

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Ele é fundador do Anteora. Pautas em murilo@anteora.com.br

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