Com o fim da Copa do Mundo 2026, disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México, o varejo brasileiro entrou na fase de medir o saldo da competição.
A pesquisa de intenção de compras feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, apontava que 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou contratar serviços durante o torneio. A estimativa era de cerca de 99,2 milhões de brasileiros movimentando o comércio.
O ticket médio previsto para os gastos extras era de R$ 619, chegando a R$ 784 entre consumidores das classes A e B.
Sazonalidade de 39 dias, não de um único dia
O comportamento do torneio no comércio é diferente de datas como Dia das Mães ou Natal, que concentram o pico em poucos dias. A Copa se estendeu por 39 dias e distribuiu o fluxo de compras ao longo de semanas.
Isso criou várias ocasiões de consumo em sequência: convocação, estreia da Seleção, fase de grupos, mata-mata, eliminação do Brasil, semifinais e final. Cada uma exigiu do lojista campanha e estoque próprios.
O formato de 48 seleções, o primeiro na história do torneio, e a divisão em três países-sede elevaram o volume de partidas para 104, distribuídas por 16 cidades.
Loja física ganhou o consumo imediato
O mapa de canais ficou claro na pesquisa. Para itens de consumo imediato, 89% dos consumidores preferiam a loja física, com supermercados em 70% e lojas de bairro em 33%.
Ao mesmo tempo, 67% pretendiam comprar pela internet. Nos dias de jogo da Seleção, o movimento nas lojas físicas cai, e a demanda migra para o digital e para o delivery, o que penalizou quem operava apenas no balcão.
O horário ajudou o comércio brasileiro. Como a maioria das partidas ocorreu à noite, o funcionamento das lojas ao longo do dia seguiu praticamente normal, o que reduziu impacto operacional em relação a edições anteriores do torneio.
Televisão saiu do centro, aposta entrou
A mudança estrutural desta edição foi a categoria que puxou o gasto. O ciclo histórico de troca de televisor a cada quatro anos perdeu força, e o consumo migrou para bens de giro rápido: alimentação, bebidas, vestuário e entretenimento fora de casa.
Levantamento da Data-Makers para o Resenha Digital Clube indicava que 71% dos brasileiros planejavam aumentar o consumo durante o torneio, com destaque para petiscos e bebidas alcoólicas, citadas por 54%.
Serviços digitais e apostas apareceram como novidade relevante: cerca de 56% não descartavam apostar em bets ou bolões, e 19% citaram gastos com streaming. Para o lojista, o balanço agora passa por três perguntas: quais categorias performaram, o que sobrou em estoque e quanto do orçamento das famílias foi antecipado e vai faltar nos próximos meses.