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Copa deixou saldo de R$ 619 por consumidor, e agora o varejo mede a conta

The World Cup trophy sits on display before being presented to the French soccer team following the FIFA World Cup final match in Moscow, Russia, on Sunday, July 15, 2018. President Vladimir Putin spent six years and more than $11 billion preparing nearly a dozen Russian cities to host the soccer World Cup, the biggest such event the country's held since the collapse of the Soviet Union. Photographer: Andrey Rudakov/Bloomberg

Com o fim da Copa do Mundo 2026, disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México, o varejo brasileiro entrou na fase de medir o saldo da competição.

A pesquisa de intenção de compras feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, apontava que 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou contratar serviços durante o torneio. A estimativa era de cerca de 99,2 milhões de brasileiros movimentando o comércio.

O ticket médio previsto para os gastos extras era de R$ 619, chegando a R$ 784 entre consumidores das classes A e B.

Sazonalidade de 39 dias, não de um único dia

O comportamento do torneio no comércio é diferente de datas como Dia das Mães ou Natal, que concentram o pico em poucos dias. A Copa se estendeu por 39 dias e distribuiu o fluxo de compras ao longo de semanas.

Isso criou várias ocasiões de consumo em sequência: convocação, estreia da Seleção, fase de grupos, mata-mata, eliminação do Brasil, semifinais e final. Cada uma exigiu do lojista campanha e estoque próprios.

O formato de 48 seleções, o primeiro na história do torneio, e a divisão em três países-sede elevaram o volume de partidas para 104, distribuídas por 16 cidades.

Loja física ganhou o consumo imediato

O mapa de canais ficou claro na pesquisa. Para itens de consumo imediato, 89% dos consumidores preferiam a loja física, com supermercados em 70% e lojas de bairro em 33%.

Ao mesmo tempo, 67% pretendiam comprar pela internet. Nos dias de jogo da Seleção, o movimento nas lojas físicas cai, e a demanda migra para o digital e para o delivery, o que penalizou quem operava apenas no balcão.

O horário ajudou o comércio brasileiro. Como a maioria das partidas ocorreu à noite, o funcionamento das lojas ao longo do dia seguiu praticamente normal, o que reduziu impacto operacional em relação a edições anteriores do torneio.

Televisão saiu do centro, aposta entrou

A mudança estrutural desta edição foi a categoria que puxou o gasto. O ciclo histórico de troca de televisor a cada quatro anos perdeu força, e o consumo migrou para bens de giro rápido: alimentação, bebidas, vestuário e entretenimento fora de casa.

Levantamento da Data-Makers para o Resenha Digital Clube indicava que 71% dos brasileiros planejavam aumentar o consumo durante o torneio, com destaque para petiscos e bebidas alcoólicas, citadas por 54%.

Serviços digitais e apostas apareceram como novidade relevante: cerca de 56% não descartavam apostar em bets ou bolões, e 19% citaram gastos com streaming. Para o lojista, o balanço agora passa por três perguntas: quais categorias performaram, o que sobrou em estoque e quanto do orçamento das famílias foi antecipado e vai faltar nos próximos meses.

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Ele é fundador do Anteora. Pautas em murilo@anteora.com.br

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