Negócios

Roberto Justus leva casa de encaixe a Campo Grande com R$ 100 milhões e 5 mil unidades

SteelCorp aposta em Light Steel Frame para disputar habitação popular; projeto prevê 400 empregos diretos na capital sul-mato-grossense

Roberto Justus apresentou em Campo Grande (MS) um projeto para construir até 5 mil casas populares na cidade. A iniciativa prevê investimento de R$ 100 milhões e cerca de 400 empregos diretos, segundo a SteelCorp, empresa de construção modular da qual ele é CEO.

O modelo usa o sistema Light Steel Frame, baseado em estruturas leves de aço galvanizado. Paredes, lajes e telhados são produzidos em ambiente industrial e chegam ao terreno prontos para montagem.

Justus recebeu o título de Visitante Ilustre da cidade após apresentar o plano habitacional.

Como funciona a construção por encaixe

A tecnologia inverte a lógica da obra tradicional. Em vez de tijolo, cimento e meses de canteiro, os componentes são fabricados fora e montados no local, num processo que se aproxima de um jogo de encaixe.

O ganho está em três frentes: prazo menor, menos desperdício de material e mais previsibilidade de custo. O método já é usado em escala na Europa e nos Estados Unidos, mas segue minoritário no mercado brasileiro.

A empresa afirma que suas plantas incorporam reúso de água da chuva e painéis solares. A construção das moradias será feita com trabalhadores de Campo Grande, e a SteelCorp informou que pretende treinar profissionais na cidade.

Fábrica de Cajamar dá lastro à promessa

A capacidade industrial é o que sustenta o número de 5 mil casas. A SteelCorp opera uma fábrica em Cajamar, na Grande São Paulo, com 16 mil metros quadrados, linhas automatizadas e capacidade para até 10 mil casas por ano.

Fundada em 2023, a companhia já participa de um projeto-piloto com a CDHU, companhia habitacional do governo de São Paulo, e usou o sistema em moradias na reconstrução do Rio Grande do Sul depois das enchentes.

O faturamento ficou na casa dos R$ 200 milhões em 2024, e a meta declarada pelo empresário é chegar a R$ 1 bilhão.

Habitação popular é a porta de entrada

A estratégia mira programas públicos, com o Minha Casa, Minha Vida no centro. É um mercado que combina demanda garantida, volume alto e pressão por prazo, condições que favorecem a industrialização da construção.

O desafio é de escala e de custo. Para viabilizar uma fábrica na capital sul-mato-grossense, a empresa depende de aprovações regulatórias e de um volume expressivo de unidades contratadas, o que amarra o projeto ao ritmo das licitações e dos programas habitacionais.

A construção civil brasileira também enfrenta escassez de mão de obra qualificada, um dos gargalos que a empresa cita ao justificar o investimento em treinamento local. Sem equipe capaz de operar o sistema, a promessa de montagem rápida não se cumpre no canteiro.

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Ele é fundador do Anteora. Pautas em murilo@anteora.com.br

Ver todas as publicações do autor

Matérias relacionadas

Conteúdo mais recente

Deixar um comentário

Seu e-mail não será publicado. Comentários podem passar por moderação.