Tecnologia

Após perder contrato para IA, empresa cresce 33% com 50 agentes

Consultoria reformulou a operação depois que uma ferramenta prometeu fazer com duas pessoas o trabalho antes realizado por sete.

Entre 2023 e 2024, a Zappts perdeu um contrato importante para uma ferramenta que prometia realizar, com duas pessoas apoiadas por inteligência artificial, o trabalho de uma equipe de sete. A empresa brasileira de tecnologia decidiu responder mudando o próprio modelo de negócio.

Fundada para desenvolver aplicativos, a consultoria passou a criar agentes de IA capazes de executar partes de processos corporativos. Em 2025, a companhia afirma ter crescido 33% em relação ao ano anterior. O valor absoluto da receita não foi divulgado.

A Zappts também informa ter reduzido pela metade o tempo necessário para lançar produtos digitais. Já o desenvolvimento de determinadas soluções teria se tornado de três a quatro vezes mais rápido. Os percentuais foram apresentados pela própria empresa e não possuem auditoria externa divulgada.

Mais de 50 agentes trabalham dentro da empresa

Antes de oferecer o modelo aos clientes, a Zappts começou a aplicá-lo em sua própria operação. Atualmente, mais de 50 agentes atuam em áreas como marketing, folha de pagamento, operações, recursos humanos e financeiro.

No marketing, quatro profissionais humanos compartilham processos com mais de dez agentes. As ferramentas podem reunir informações, preparar materiais, organizar tarefas e executar etapas repetitivas, enquanto decisões estratégicas continuam sob responsabilidade da equipe.

A companhia possui mais de 100 funcionários e afirma ter aumentado em 47% o número de profissionais dedicados a dados e inteligência artificial. Esse percentual, porém, não representa crescimento de 47% do quadro total. A empresa não informou quantas pessoas havia na área antes da expansão.

Um escritório controla os agentes

Para organizar a adoção da tecnologia, a Zappts criou o Agent Transformation Office, ou ATO. O departamento define regras para desenvolvimento, segurança, custos e acompanhamento dos agentes usados internamente.

Cada área mantém ao menos um profissional responsável por coordenar essas ferramentas. Segundo o CEO Pablo Augusto, todos os funcionários foram treinados para desenvolver agentes, embora a implantação permaneça centralizada pelo escritório de governança.

O cuidado responde a obstáculos encontrados por outras empresas. Em pesquisa conduzida pela própria Zappts em 2025, 51,6% das organizações participantes afirmaram não possuir uma política formal de governança de IA. A integração com sistemas antigos apareceu como dificuldade para metade delas, enquanto 60,5% citaram a falta de competências internas como barreira.

Clientes incluem bancos e seguradoras

A mudança também criou uma nova unidade de negócios. A empresa passou a desenvolver agentes sob medida, oferecer ferramentas por assinatura e testar contratos nos quais parte da remuneração depende do resultado obtido.

Santander, BTG Pactual, Getnet e Porto estão entre os clientes divulgados pela Zappts. A companhia projeta dobrar sua unidade de agentes inteligentes até o final de 2026, mas não revelou o faturamento atual da divisão.

A consultoria relata reduções superiores a 30% no tempo de resposta a propostas e de 33% na carga de tarefas repetitivas. Os resultados variam conforme o processo automatizado e também são métricas fornecidas pela empresa.

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Ele é fundador do Anteora. Pautas em murilo@anteora.com.br

Ver todas as publicações do autor

Matérias relacionadas

Deixar um comentário

Seu e-mail não será publicado. Comentários podem passar por moderação.