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A Petrobras encerrou o segundo trimestre de 2026 com recordes simultâneos na produção de petróleo e gás, na operação do pré-sal e no uso das refinarias. A combinação levou bancos a projetarem uma distribuição superior a US$ 3 bilhões em dividendos e outras formas de remuneração aos acionistas referentes ao período.
O valor, porém, ainda não representa um pagamento anunciado pela companhia. O Itaú BBA estima uma distribuição ordinária de aproximadamente US$ 3,1 bilhões, enquanto o Goldman Sachs trabalhou anteriormente com uma projeção de US$ 3,4 bilhões. A decisão efetiva dependerá dos resultados financeiros que serão publicados em 6 de agosto e de posterior aprovação pelo Conselho de Administração.
Por trás das estimativas está um trimestre em que a estatal conseguiu produzir e processar mais petróleo ao mesmo tempo que reduziu importações e ampliou exportações. Esse avanço melhora as perspectivas para a geração de caixa, principal referência usada pela política de remuneração da Petrobras.
Pré-sal leva produção da Petrobras a novo recorde
A produção própria de óleo, líquidos de gás natural e gás alcançou 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia entre abril e junho. O volume representa alta de 14,1% sobre o mesmo período de 2025 e de 3,4% em relação ao primeiro trimestre deste ano.
O pré-sal respondeu por 2,78 milhões de barris de óleo equivalente por dia dessa produção, também uma máxima histórica. O resultado foi impulsionado pelo avanço gradual das plataformas Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78, além da entrada em operação da P-79, em Búzios.
Antecipada em três meses em relação ao Plano de Negócios 2026–2030, a P-79 começou a produzir em 1º de maio. A unidade tem capacidade para extrair 180 mil barris de petróleo por dia e elevou a capacidade instalada de Búzios para cerca de 1,33 milhão de barris diários.
Durante o trimestre, dez novos poços produtores entraram em operação, sendo seis na Bacia de Santos e quatro na Bacia de Campos. Ganhos de eficiência nos ativos acrescentaram aproximadamente 70 mil barris por dia à produção na comparação anual.
Búzios simboliza essa expansão. O campo superou pela primeira vez a média mensal de 1 milhão de barris por dia em junho e chegou a produzir 1,2 milhão de barris em um único dia. Mero, outro ativo estratégico do pré-sal, registrou produção média próxima de 740 mil barris por dia no trimestre.
Refinarias operaram acima da capacidade de referência
O desempenho das refinarias também foi decisivo. O Fator de Utilização Total, indicador que compara a carga processada com a capacidade de referência das unidades, atingiu 101,2% no segundo trimestre, o maior resultado trimestral da história da Petrobras.
Nos meses de abril e maio, o índice chegou a 102,5%. Operar acima de 100% não significa ultrapassar limites de segurança, mas processar um volume superior à capacidade originalmente usada como referência, após ganhos de eficiência, disponibilidade e otimização operacional.
A produção de derivados avançou para 1,918 milhão de barris por dia, crescimento de 5,6% sobre o primeiro trimestre e de 10,9% na comparação anual. Foram registrados recordes trimestrais de 509 mil barris por dia de diesel S10 e de 109 mil barris por dia de querosene de aviação.
Com mais combustível produzido internamente, as importações de derivados caíram para 67 mil barris por dia, o menor volume trimestral já registrado pela estatal. As compras de diesel no exterior recuaram 85% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Ao mesmo tempo, as exportações totais de petróleo e derivados alcançaram 1,231 milhão de barris por dia. Descontadas as importações, as exportações líquidas mais do que dobraram em um ano, chegando a 1,075 milhão de barris diários.
Como os bancos chegaram aos US$ 3 bilhões
O Itaú BBA estima que a Petrobras tenha registrado EBITDA de US$ 18,4 bilhões no segundo trimestre, avanço de 57% sobre os três primeiros meses do ano. A previsão de lucro líquido é de US$ 8,7 bilhões, quase o dobro do resultado recorrente observado no trimestre anterior.
Além dos volumes recordes, o banco considera uma alta de 24% nos preços realizados do petróleo durante o período e receitas domésticas maiores, incluindo os subsídios relacionados ao diesel.
A projeção de US$ 3,1 bilhões em dividendos ordinários equivale a um retorno próximo de 3% sobre o valor das ações. No cálculo, o Itaú BBA incorpora investimentos em caixa de US$ 4,6 bilhões e uma saída de US$ 4,5 bilhões no capital de giro. Desse total, US$ 2,3 bilhões estariam relacionados a valores de subsídios ainda a receber do governo.
O Goldman Sachs chegou a uma estimativa ligeiramente superior, de US$ 3,4 bilhões. A instituição também destacou que os atrasos no recebimento dos subsídios podem consumir entre US$ 2 bilhões e US$ 2,3 bilhões do capital de giro no trimestre, reduzindo temporariamente o caixa disponível.
Política liga dividendos ao fluxo de caixa livre
Pela política vigente, a Petrobras deve distribuir aos acionistas 45% do fluxo de caixa livre quando o endividamento bruto estiver dentro do limite definido no plano estratégico e as demais condições financeiras forem atendidas.
No primeiro trimestre, a companhia aprovou R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a R$ 0,70097272 por ação. As parcelas serão pagas em agosto e setembro sob a forma de juros sobre capital próprio.
Esse pagamento já aprovado não deve ser confundido com a projeção de US$ 3,1 bilhões para o segundo trimestre. Uma eventual nova distribuição será calculada a partir do balanço encerrado em junho e precisará ser oficialmente deliberada.
Para o período entre 2026 e 2030, o plano da Petrobras estima entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em dividendos ordinários, desde que as premissas de produção, preço do petróleo, investimentos e geração de caixa sejam cumpridas. O planejamento não inclui uma previsão específica de dividendos extraordinários.