Diversidade

Compras inclusivas viram mercado bilionário, e novo hub quer reduzir fraudes

Plataforma B2B pretende conectar grandes companhias a negócios controlados por mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e indígenas, com validação auditada dos fornecedores

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A Integrare está lançando uma plataforma B2B para conectar grandes empresas a fornecedores controlados por grupos historicamente sub-representados. A associação afirma que pretende elevar para R$ 1 bilhão, até 2028, o volume de negócios intermediados por sua rede.

Batizada de Integrare Hub de Compras Inclusivas, a plataforma reunirá empresas lideradas ou controladas majoritariamente por mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e indígenas. Segundo a organização, R$ 725 milhões em transações comerciais foram facilitados nos últimos 15 anos.

O novo modelo amplia a atuação da entidade, fundada em 1999 para aproximar fornecedores diversos dos departamentos de compras de grandes corporações. Em seu site, a Integrare define como missão promover o desenvolvimento desses negócios por meio de capacitação, conexões empresariais e acesso a oportunidades comerciais.

Selo pretende validar controle das empresas

Uma das principais ferramentas do Hub será o Selo Plural. A certificação, de acordo com a Integrare, verificará se a liderança ou o controle societário das empresas pertence majoritariamente a integrantes dos grupos contemplados.

O processo deverá combinar autodeclaração, análise documental e auditoria independente. A proposta é permitir que grandes companhias utilizem a certificação na homologação de fornecedores, em concorrências privadas e nos relatórios relacionados às metas ambientais, sociais e de governança.

A validação busca responder a um problema recorrente nos programas corporativos de diversidade: empresas que se apresentam como negócios diversos, mas não possuem controle efetivo ou participação majoritária dos grupos declarados.

A presidente da Integrare, Monica Schimenes, afirma que o objetivo é reduzir o chamado diversity washing, expressão usada para descrever iniciativas de diversidade divulgadas como compromisso institucional, mas que não são acompanhadas por critérios verificáveis ou mudanças concretas.

Schimenes assumiu a presidência da associação em 2025, após quatro mandatos da gestão anterior. A atual diretoria tem vigência prevista até junho de 2028.

Marketplace conectará empresas e fornecedores

Além da certificação, o Hub funcionará como um marketplace B2B privativo. As empresas compradoras poderão localizar fornecedores de acordo com o setor de atuação, o perfil societário e as necessidades de contratação.

A plataforma também permitirá negócios entre os próprios fornecedores integrantes da rede. A intenção é ampliar a circulação de contratos para além das compras realizadas diretamente pelas grandes companhias associadas.

Atualmente, a Integrare informa possuir 260 fornecedores homologados. A associação prevê adicionar aproximadamente 100 empresas até o final de 2026, o que levaria a base para cerca de 360 participantes.

A quantidade representa um crescimento próximo de 38%, embora o material de divulgação também mencione uma expansão de 25%. A diferença entre os números precisa ser esclarecida pela entidade.

Bayer, EY e Grupo Boticário estão entre as companhias citadas pela Integrare como participantes ou apoiadoras de suas iniciativas. A Bayer já participou de atividades da associação voltadas à inclusão na área de compras, enquanto o Grupo Boticário mantém um programa próprio de aceleração de fornecedores controlados por pessoas de grupos diversos.

Compras entram na estratégia de diversidade

Programas de diversidade de fornecedores transferem parte das metas sociais das empresas para a cadeia de suprimentos. Em vez de concentrar as iniciativas apenas na contratação de funcionários, as companhias passam a direcionar parte de suas compras para negócios controlados por públicos sub-representados.

A ONU Mulheres considera a área de compras uma ferramenta capaz de ampliar o acesso de empresas lideradas por mulheres aos mercados corporativos. A entidade recomenda critérios verificáveis, acompanhamento dos fornecedores e metas ligadas ao orçamento efetivamente contratado, e não apenas ao número de empresas cadastradas.

Esse ponto será decisivo para avaliar o impacto do novo Hub. O número de fornecedores certificados mostra o alcance da base, mas não revela quanto cada empresa conseguiu vender, por quanto tempo os contratos foram mantidos ou qual parcela das compras das grandes companhias chegou efetivamente aos negócios diversos.

Para que a plataforma reduza o risco de diversity washing, a Integrare precisará demonstrar não apenas quem foi certificado, mas também o volume de contratos gerados, a concentração das compras e a evolução financeira dos fornecedores participantes.

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Ele é fundador do Anteora. Pautas em murilo@anteora.com.br

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