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A startup argentina COR recebeu um investimento de US$ 30 milhões da FTV Capital para acelerar o desenvolvimento de recursos de inteligência artificial, ampliar sua atuação entre empresas de serviços profissionais e avançar em novos mercados. O Brasil aparece como uma das prioridades dessa próxima fase.
Com uma plataforma voltada à gestão e à rentabilidade de projetos, a companhia atende agências de publicidade, consultorias e outros negócios que dependem diretamente do trabalho de suas equipes. O sistema reúne planejamento, controle de horas, distribuição de recursos e acompanhamento financeiro em tempo real.
O aporte foi anunciado na terça-feira (28) e será usado para aprofundar as chamadas capacidades agênticas da plataforma. A proposta é permitir que empresas administrem, no mesmo ambiente, projetos executados por pessoas e por agentes de IA.
Brasil ganha prioridade na expansão da COR
Poucos dias antes de anunciar a rodada, a empresa nomeou Birger Kamrath como country manager para o Brasil. Ex-CEO da Skills Workflow, o executivo assumirá a estratégia comercial e o crescimento da operação no país.
Na avaliação da COR, o mercado brasileiro ocupa uma posição central por concentrar a maior indústria de agências da América Latina. A companhia afirma que o país se tornou um dos pilares de seu plano de expansão regional.
Cerca de um terço das agências de médio e grande porte da América Latina já utilizam a plataforma, segundo dados divulgados pela própria startup. A chegada de Kamrath ocorre em um momento no qual a empresa busca transformar essa presença regional em crescimento comercial mais consistente no Brasil.
Metas específicas de receita, número de clientes ou contratações para a operação brasileira não foram divulgadas.
Investimento será usado para ampliar recursos de IA
A maior parcela do novo capital deverá financiar a evolução tecnológica do produto. A COR quer adaptar sua plataforma a um ambiente em que equipes humanas passam a trabalhar ao lado de agentes autônomos de inteligência artificial.
Atualmente, o sistema combina gestão de projetos, registro automatizado de horas, planejamento de recursos e análise de rentabilidade. Essas informações permitem que as empresas acompanhem quanto tempo e dinheiro cada cliente ou trabalho consome.
Nesse novo modelo, a plataforma pretende medir não apenas o desempenho dos funcionários, mas também a contribuição e o custo dos agentes digitais envolvidos em cada projeto. A empresa aposta que a adoção de IA obrigará agências e consultorias a reverem preços, formação de equipes e margens.
Para a FTV Capital, empresas de serviços estão sendo pressionadas a entregar mais resultados com estruturas menores. Ao mesmo tempo, muitas ainda utilizam processos manuais ou ferramentas genéricas que não conseguem mostrar com precisão a rentabilidade de cada trabalho.
COR quer entrar em novos setores
Agências de publicidade formaram o mercado inicial da startup, mas a rodada abre caminho para uma presença maior entre escritórios jurídicos, empresas de contabilidade, consultorias e desenvolvedoras de software.
Esses negócios compartilham um problema semelhante: a maior parte dos custos está ligada às horas trabalhadas pelas equipes, enquanto a receita depende da entrega de projetos ou contratos.
Criada para conectar essas duas pontas, a COR tenta mostrar aos gestores quais clientes, contratos e profissionais geram margem e quais operações provocam perdas. O objetivo é reduzir situações em que uma empresa vende um projeto por um preço que não cobre o esforço necessário para concluí-lo.
A plataforma já mantém páginas e produtos específicos para consultorias, escritórios de advocacia e empresas de tecnologia, indicando que a diversificação vinha sendo preparada antes do novo investimento.
Receita cresceu 51% em 2025
Fundada em 2017 pelos empreendedores argentinos Santi Bibiloni e José Gettas, com Gabriel Marin à frente da tecnologia, a COR encerrou 2025 com crescimento de receita de 51% na comparação anual. A companhia também informou ter mantido rentabilidade e níveis elevados de retenção de clientes.
Hoje, milhares de equipes utilizam a plataforma em mais de 38 países. A carteira inclui empresas e grupos de comunicação como Globant GUT, Sancho BBDO e organizações ligadas a grandes redes internacionais de publicidade.
O desempenho chamou a atenção da FTV Capital, gestora americana especializada em empresas de tecnologia com potencial de expansão. O fundo já apoiou negócios latino-americanos como EBANX, Globant, Lean Solutions Group e Vórtx.
Como parte do acordo, Alex Malvone, sócio da FTV, e Tommy Tighe, principal da gestora, passarão a integrar o conselho de administração da COR.
Galperin já havia investido na startup
Antes da rodada atual, a COR já havia atraído empresários e fundos conhecidos do ecossistema de tecnologia. Entre eles está Marcos Galperin, fundador do Mercado Livre, que participou de uma captação anunciada pela startup em 2021.
Na ocasião, a companhia recebeu US$ 6 milhões de investidores como ScOp Ventures, Global Founders Capital e State48 Ventures, além de executivos ligados a empresas como Walmart, Anaplan, Verizon Media e Google.
Por esse motivo, o investimento da FTV Capital não pode ser classificado como a primeira rodada pública da COR. O anúncio de 2021 detalhava o valor, os participantes e a divisão da captação em duas etapas.
Os US$ 30 milhões representam, contudo, a maior rodada de valor divulgado pela companhia e marcam a entrada de um investidor institucional com experiência em expansão global de softwares empresariais.
IA muda a cobrança por projetos
O avanço da inteligência artificial está alterando um dos principais modelos comerciais das empresas de serviços. Tradicionalmente, agências e consultorias calculam preços com base nas horas que suas equipes precisarão dedicar a determinada entrega.
Quando parte do trabalho passa a ser realizada por uma ferramenta de IA em poucos minutos, cobrar apenas por horas se torna menos sustentável. Ao mesmo tempo, a redução do tempo necessário não elimina custos com tecnologia, revisão, estratégia e profissionais especializados.
Nesse cenário, a COR aposta que a rentabilidade deverá ser calculada a partir de uma combinação entre trabalho humano, uso de agentes digitais e valor gerado para o cliente. A plataforma tenta ocupar o espaço entre ferramentas tradicionais de gestão de projetos e sistemas financeiros.
A estratégia também explica a busca por escritórios jurídicos, consultorias e empresas de software. Esses setores enfrentam a mesma necessidade de entender como a automação muda seus custos e quanto cada projeto realmente contribui para o resultado.